Vou começar deixando uma coisa muito clara: esta não é uma discussão sobre a história de Neymar no Santos. O que ele fez pelo clube é eterno. Revelado na Vila Belmiro, campeão da Libertadores, protagonista de uma geração histórica e um dos maiores jogadores que já vestiram essa camisa. Isso ninguém apaga.
O debate é outro. É sobre o Neymar de hoje.
E, na minha visão, a segunda passagem do camisa 10 pelo Santos tem feito muito mais mal do que bem ao clube.
Nem vale a pena listar todos os episódios que aconteceram desde o retorno, porque esta coluna ficaria enorme. São polêmicas frequentes, atrasos, ausências, reclamações, atritos internos e notícias extracampo que acabam ocupando mais espaço do que o futebol. Nesta segunda-feira, por exemplo, o noticiário foi tomado por novos problemas envolvendo o jogador, quando o assunto deveria ser exclusivamente a preparação da equipe para uma decisão na Copa Sul-Americana.
Dentro de campo, a situação também preocupa.
Por mais duro que seja dizer isso, Neymar já não consegue entregar nem perto do futebol que encantou o mundo. As lesões cobraram um preço alto, o ritmo é outro e a capacidade física já não acompanha a genialidade que ele ainda possui. O problema é que o time acaba sendo montado em função dele, e nem sempre isso melhora o rendimento coletivo.

Na minha opinião, o Santos joga melhor sem Neymar.
A equipe parece mais leve, mais organizada e com menos dependência de um único jogador. Quando ele não está em campo, outros atletas assumem protagonismo, o sistema funciona de forma mais equilibrada e o futebol flui com mais naturalidade.
Fora das quatro linhas, o cenário é ainda mais preocupante. O ambiente parece viver constantemente em estado de tensão. Surgem relatos de cobranças excessivas, principalmente sobre jogadores mais jovens, conflitos internos e episódios que desgastam o grupo em um momento em que o Santos precisa justamente do contrário: união para sair da situação delicada que vive na temporada.
É claro que Neymar continua sendo um fenômeno de marketing. Atrai patrocinadores, aumenta a venda de camisas, gera audiência e coloca o Santos novamente no centro das atenções. Tudo isso é inegável.
Mas futebol não vive apenas de repercussão.
Quando se coloca na balança o impacto esportivo e o ambiente interno, tenho a impressão de que a conta ficou negativa. O retorno que parecia ser o início de uma nova era acabou se transformando em uma sequência de crises que tiram o foco do que realmente importa: o desempenho do time.
Sei que muitos torcedores vão discordar. E tudo bem. Neymar continuará sendo um dos maiores ídolos da história do Santos. Esse legado jamais será apagado.
Mas idolatria também não pode impedir uma análise do presente.
Hoje, olhando apenas para o que acontece dentro e fora de campo, acredito que a permanência de Neymar faz mais mal do que bem ao Santos. Talvez tenha chegado o momento de cada um seguir o seu caminho.
Às vezes, a melhor decisão para preservar uma história tão bonita é reconhecer que ela já teve o seu capítulo final.
Fonte de matéria https://santistas.net/noticias-do-santos/santos-colunasantista-27-07/

