Bancários de todo o país podem cruzar os braços por 24 horas na quinta-feira (20). A possibilidade de greve é discutida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e pelos sindicatos da categoria, em meio a impasses nas negociações com os bancos.
Na Caixa Econômica Federal, um dos principais pontos de insatisfação é a mudança nas regras de cobrança do plano de saúde dos funcionários. A proposta prevê aumento da contribuição mensal dos empregados de 3,5% para 5,5%, além de mudanças nos valores pagos pelos dependentes e no limite de participação do trabalhador.
Segundo o Sindicato dos Bancários, o teto de participação do empregado passaria de 7% para 14%. A entidade afirma que a alteração representaria uma transferência maior de custos para os trabalhadores.
“A proposta transfere ainda mais custos para os trabalhadores, elevando a contribuição mensal de 3,5% para 5,5%, aumentando significativamente os valores cobrados dos dependentes e dobrando o teto de participação do empregado, de 7% para 14%”, afirmou Antonio Abdan, diretor do sindicato.
A mudança já provoca reclamações entre funcionários da Caixa. Um trabalhador ouvido pelo Metrópoles relatou que o valor mensal pago pelo plano para ele, a esposa e duas crianças subiria de R$ 598 para R$ 1.025, aumento superior a 70%.
Em redes internas da instituição, outros empregados também demonstraram insatisfação com a proposta. “Penso que a ideia da empresa é acabar com o plano mesmo… quem consegue gerir um banco não consegue administrar um plano de saúde?”, afirmou uma funcionária em comentário publicado na segunda-feira (17).
Piso salarial também está entre as reivindicações
A possível paralisação não se limita à Caixa. Segundo o Sindicato dos Bancários, trabalhadores de instituições financeiras de todo o país podem aderir ao movimento.
Entre os pontos de conflito nas negociações estão a proposta de congelamento do piso salarial da categoria e a criação de novas faixas salariais baseadas em critérios de produtividade.
Na segunda-feira (17), o Comando Nacional dos Bancários promoveu reuniões em diferentes regiões do país para discutir a mobilização. Em Brasília, uma plenária realizada na Galeria dos Estados, no Setor Bancário Sul, debateu o indicativo de greve.
Uma nova reunião estava prevista para esta terça-feira (18) para definir os próximos passos da categoria e a eventual confirmação da paralisação.
A Caixa e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) foram procuradas para comentar as mudanças e as reivindicações dos trabalhadores. Os posicionamentos serão acrescentados à matéria assim que forem recebidos.
