Fogo amigo
Alguns veículos de imprensa deram destaque ao aumento patrimonial de 226% informado à Justiça Eleitoral pela vereadora cubana naturalizada brasileira Zoe Martínez (PL). Segundo ela, resultado do rendimento de aplicações financeiras bem sucedidas e do lucro da empresa de comunicação e marketing da qual é sócia.
Os dados são públicos, qualquer um pode acessar pelo site do TSE, via divulgacand. A questão é que a conversa nos bastidores da Câmara é que não se trata exatamente de um trabalho de investigação jornalística, mas da possibilidade de algum dos desafetos que a vereadora conquistou ao longo dos dois últimos anos ter entregue as informações para a imprensa para tentar prejudicá-la.
Zoe é candidata a deputada federal e tem o apoio de Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis.
Sempre num tom acima
Zoe Martínez nega, mas há relatos de um clima de tensão no gabinete dela, principalmente com assessores próximos, como o chefe de gabinete e a coordenadora, que pediram demissão ontem.
No ano passado, protagonizou discussão acalorada com uma assessora, que teria começado no corredor e terminado no gabinete. A moça foi demitida.
O ex-subprefeito de Pinheiros, Leonardo Pedrassoli Soares, indicado por Zoe, ficou apenas onze meses no cargo. Foi exonerado dias depois de ser confrontado “nuns dois ou três tons acima do aceitável” durante reunião com a vereadora na subprefeitura, presenciada por pelo menos 4 pessoas.
Minha fonte, um servidor que pediu anonimato, disse que na subprefeitura ela costuma ser rude com as pessoas. “Na hora de cobrar ela é truculenta”.
5ª série
Com os colegas de Câmara o comportamento de Zoe Martínez não é diferente. Em agosto do ano passado teve que ser contida ao bater boca, dedo em riste, com Janaína Paschoal (PL), interrompendo a sessão.
Em dezembro, a confusão começou quando ela começou a fazer gestos como se estivesse entediada e com sono durante discurso da vereadora Sílvia da Bancada Feminista.
Depois que a sessão foi suspensa, Zoe Martínez fez uma dancinha no plenário, que causou revolta em alguns vereadores e uma nova discussão, desta vez aos berros, envolvendo Rubinho Nunes e Senival Moura.
Por falar nele
Preso desde 26 de junho por suspeita de ligações com o PCC, Senival Moura (que pediu afastamento do PT) saiu da cadeia na quarta-feira por conta de habeas corpus concedido pela desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do TJ-SP.
Passou em casa e foi direto para a Câmara Municipal, onde discursou em plenário. Começou agradecendo os vereadores que se solidarizaram com ele (sem citá-los nominalmente) e disse ser inocente, vítima de uma grande injustiça.
“Fui jogado aos leões sem cometer absolutamente nada. Sou inocente de tudo isso, a exemplo do Devanil (de Souza Nascimento, o “Sapo”) que continua preso acusado de um assassinato que nunca cometeu”.
Senival disse confiar na justiça e que está à disposição das autoridades. “É uma injustiça muito grande, não desejo isso ao meu pior inimigo”, afirmou.
Silêncio
A prefeitura proibiu o uso de qualquer fonte de energia, como baterias, geradores ou extensões elétricas aos domingos e feriados na Avenida Paulista.
Enquanto artistas de rua reclamam, os cerca de 6 mil moradores dos 18 edifícios residenciais da avenida voltam a ter domingos agitados, porém mais silenciosos.
Resultado do trabalho da despoluicaosonora.org, do filósofo Marcelo Sando.
Ciência respira
Depois de 5 anos, o decreto de João Dória Jr que transferiu a gestão de pesquisas, áreas experimentais e patrimônio científico do antigo Instituto Florestal para a Fundação Florestal foi finalmente derrubado pela Justiça.
A decisão também impõe ao estado a obrigação de não alterar as estruturas do setor sem a devida fundamentação técnica e consulta aos conselhos deliberativos.
Na prática, com as áreas de pesquisa voltando a ser responsabilidade do Instituto de Pesquisas Ambientais, os pesquisadores deixam de fazer serviços administrativos e voltam a campo.
A Procuradoria Geral do Estado ainda não decidiu se vai recorrer da decisão.
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