A Justiça Federal concedeu nesta terça-feira (17) habeas corpus ao empresário Rodrigo Morgado, conhecido como “contador do PCC” e “CEO do Jeep”. Ele estava detido desde outubro de 2025, quando foi alvo da Operação Narco Bet, da Polícia Federal. A decisão também alcança o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira.
Apesar da ordem favorável, Morgado não será solto neste momento. A permanência na prisão está relacionada a outro inquérito da Polícia Federal, ligado à Operação Commodity, deflagrada no fim de julho para investigar um esquema de lavagem de dinheiro associado ao tráfico internacional de drogas.
De acordo com as investigações, Morgado teria exercido uma função de operador financeiro e logístico dentro do grupo investigado. A PF sustenta que ele utilizava contas pessoais e de empresas sob seu controle para movimentar recursos de terceiros, além de realizar operações com criptomoedas e transferências para outros envolvidos.
Os investigadores apontam que o empresário teria acumulado mais de R$ 7,5 milhões entre 2022 e 2023. Entre 2019 e 2024, a movimentação financeira atribuída a ele teria ultrapassado R$ 313 milhões, incluindo aproximadamente R$ 100 milhões em transações envolvendo criptoativos. Entre os negócios identificados está um repasse de quase R$ 20 milhões para a empresa Buzeira Digital.
A apuração também relaciona Morgado ao Veleiro Lobo IV, embarcação apreendida pela Marinha dos Estados Unidos entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias com mais de quatro toneladas de cocaína. O caso deu origem à Operação Narco Vela e, posteriormente, à Narco Bet, realizada pela PF em outubro do ano passado.
Segundo a investigação, o grupo teria recorrido a empresas de fachada, transferências internacionais e criptomoedas para dificultar o rastreamento dos valores obtidos com o tráfico. Parte do dinheiro teria sido direcionada ao setor de apostas eletrônicas, em uma tentativa de conferir aparência legal aos recursos.
Já a Operação Commodity apura um esquema de proporções ainda maiores. A PF investiga o envio de cerca de 6,5 toneladas de cocaína para a Europa e a movimentação de valores bilionários por meio de operações destinadas a ocultar a origem dos recursos. No âmbito da investigação, a Justiça autorizou o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas de até R$ 1 bilhão.
A decisão desta terça não encerra as apurações envolvendo Rodrigo Morgado. As investigações seguem em andamento para esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados pelo empresário, além de possíveis conexões com organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro.
As medidas determinadas pela Justiça poderão ser revistas conforme o avanço dos processos e a apresentação de novas informações pelas autoridades.
