O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliou o tom do confronto diplomático entre os dois países. Em entrevista concedida à emissora argentina LN+, Milei chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, questionou as decisões judiciais que anularam as condenações do petista no âmbito da Operação Lava Jato e afirmou que o presidente brasileiro “não é inocente”.
As declarações foram feitas neste domingo (2) e representam uma escalada na crise diplomática iniciada após a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, no dia 25 de julho, quando o presidente argentino manifestou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Durante a entrevista, Milei rejeitou as críticas feitas pelo governo brasileiro ao seu discurso em território nacional e afirmou que suas declarações foram espontâneas. Segundo ele, suas críticas a Lula se referem às investigações e condenações ocorridas na Lava Jato.
“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, declarou o presidente argentino.
Milei também afirmou que considera menos grave chamar alguém de ladrão do que a prática do próprio crime, em referência às acusações feitas contra Lula no passado.
Os ataques ocorrem em um momento de forte desgaste na relação bilateral. Durante a convenção do PL, Milei dividiu o palco com Flávio Bolsonaro e afirmou confiar no senador como alternativa política para o Brasil. Na ocasião, declarou que acredita que Flávio seria capaz de “parar Lula” e promover uma mudança política no país.
A participação do presidente argentino em um evento político-partidário brasileiro provocou reação do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores. O governo brasileiro classificou as declarações como ofensivas às instituições nacionais e ao chefe de Estado.
A crise também repercutiu na Argentina. A Federação Argentina de Municípios (FAM), entidade que representa governos locais do país, divulgou um comunicado manifestando solidariedade ao povo brasileiro e ao presidente Lula. No documento, a federação classificou as declarações de Milei como uma “inaceitável falta de respeito” e afirmou que o episódio prejudica a histórica relação de cooperação entre Brasil e Argentina.
A tensão diplomática ocorre em um contexto de divergências políticas entre os dois governos e de crescente polarização regional. Brasil e Argentina mantêm uma das mais importantes relações comerciais da América do Sul, com forte integração econômica por meio do Mercosul e de acordos bilaterais em áreas como indústria, energia e infraestrutura.
Até o momento, o governo brasileiro não havia anunciado novas medidas em resposta às declarações mais recentes de Milei. A expectativa é de que o tema continue repercutindo tanto no campo diplomático quanto no cenário político dos dois países.
